sexta-feira, 15 de junho de 2012

possuir com outros.








Um dos significados atribuído pelos dicionários para a ação de partilhar é a ideia de possuir com outros. Partilhar é o ato de dividir em partes, repartir, distribuir um bem, um pensamento, um lugar. Compartilhar é ação que se situa acima do repartir, pois é o repartir de modo participativo; evoca associação de interesses e valores comuns; envolve o proveito conjunto de algo. Nesta pesquisa, a partilha surge como o mote, uma possibilidade de construir um campo de ação poética de intervenção silenciosa no cotidiano de outras pessoas. Partilha de objetos como proposta-arte, onde se compartilha a presença material de um objeto e se propaga além dele.

Cotidiano Compartido é um projeto que consiste no anuncio de empréstimos de objetos que me pertencem e fazem parte do meu cotidiano, (bicicleta, máquina Polaroid, guarda-chuva, barraca de camping, entre outros). Tem como intenção criar um campo de experimentação baseado no usufruto de um determinado objeto, que transita de um contexto para outro, do domínio do meu cotidiano para o cotidiano de outras pessoas, onde possa ser compartilhado, não só de forma material, mas também subjetiva. Essa transação faz com que um simples objeto passe a ser a peça de um jogo, de uma proposição artística, no entanto, o objeto neste jogo não ocupa o lugar de obra de arte, ele é antes uma ferramenta cognitiva, geradora de sentidos.

Sugerir a partilha no lugar de uma transação comercial alarga os limites entre o publico e o privado se funde. Trata-se de uma proposição que se fundamenta em princípios de confiança, de generosidade, de desapego e de afeto. Neste sentido, a proposta de partilha se impõe a lógica da individualização, substituindo-a pela lógica da coletividade. Busco estabelecer com este trabalho um exercício político em contraponto aos valores da sociedade atual, que limita e prescreve as formas de relacionamento. Do meu ponto de vista, promover a partilha é defender a idéia de cooperação, de subjetivação, de alteridade, de sociabilidade, de compartilhamento de experiências, de valorização da amizade. É utilizar a imaginação e a ironia como arma de resistência.


segunda-feira, 28 de maio de 2012



Nada pode obrigar que a vida não seja

absolutamente apaixonante.

Nós sabemos como fazer.




Apologia da deriva, Escritos situacionistas sobre a cidade.








novas formas de partilha:






Em 2012 recebemos a doação de 40 bicicletas, 16 já entregues, o restante em fase de planejamento da distribuição. A doação veio de uma parceria com a ONG Rodas da Paz e o Projeto 10porHora. Para tornar viável o projeto, considerando a quantidade de bicicletas disponíveis atualmente, convocamos voluntários dispostos a agenciar às ações de empréstimos, assim, as bicicletas serão espalhadas pela cidade e o desenvolvimento desta ação fica descentralizado, tornando o projeto ainda mais coletivo




e como serão as novas formas de partilha?
estão sendo construídas também em parceria, com adaptações da forma anterior, quando só tinhamos 01 bicicleta, a minha. 


sistematizei alguns aspectos do projeto para termos um norte para começar:




Cotidiano compartido - 2012 - parceiras e novas formas de partilha ampliadas


Objetivos:      
  • Criar um campo de experimentação baseado no usufruto de um determinado objeto compartilhado, não só de forma material, mas também subjetiva.
  • Promover a partilha no lugar de uma transação comercial
  • Evocar princípios de confiança, de generosidade, de desapego e de afeto.
  • Defender a ideia de cooperação, de subjetivação, de alteridade, de sociabilidade, de compartilhamento de experiências, de valorização da amizade, como um exercício político e poético, em contraponto aos valores da sociedade atual.
  • Utilizar a imaginação e a ironia como arma de resistência.
 Como acontecem os empréstimos?
As regras não são rígidas, podem ser discutidas na medida em que as ações forem acontecendo, havendo possibilidade de situações novas ou outras propostas de uso, serem agregadas a ideia do projeto.


No momento do empréstimo do objeto (no caso uma bicicleta) o participante preenche uma ficha de cadastro com seus dados e uma declaração onde assume a devolução do objeto no prazo combinado (sugiro 07 dias, mas este período pode ser maior ou menor, dependendo das necessidades dos envolvidos). Além disso, sugiro que o participante compartilhe um pouco da sua experiência com o objeto emprestado. Algumas coordenadas são sugeridas através de um mapa entregue ao participante sugerindo que se coloque em uso o objeto compartilhado como ponto de partida para experimentar diferentes formas de vivenciar e perceber a cidade.

O parceiro do projeto (pessoa física ou instituição) fica responsável em agenciar os empréstimos de uma ou mais bicicletas, se comprometendo em organizar os registros trazidos pelas pessoas que a tomarem emprestado e repassa-los para a pessoa que fará a atualização das ações no blog do projeto, assim como zelar pela integridade da bicicleta.


Qualquer pessoa interessada residente no DF pode solicitar emprestada uma das bicicletas através dos parceiros do projeto, preenchendo uma ficha de cadastro e assinando a declaração e se responsabilizando por sua devolução na data e local combinado antecipadamente.


O ideal é que cada parceiro divulgue a proposta por meio de cartazes no seu bairro ou local que lhe for apropriado (trabalho, escola, faculdade, etc.). É importante manter a mesma identidade visual do projeto, por isso forneceremos um modelo de cartaz para ser impresso e preenchido com o nome e o telefone de contato do responsável pelo agenciamento dos empréstimos.



Contatos:

Michelle Cunha:  avidaesonho@gmail.com
Diego de Paula (10porhora): www.cotidianocompartido.blogspot.com 

Parceiros: 

Rodas da Paz: www.atitudebrasil.com.br/rodasdapaz/10porHora: atitudebrasil.com.br/10porhora

Colaboradores:

Retro-Ativa Brechó: retroativa.com.br | 32730272
Espaço Mosaico: espacoculturalmosaico.blogspot.com
Balaio Café: balaiocafe.com.br


16 bikes para serem compartilhadas

click no texto abaixo para ampliar.





Transporte cedido pelo Espaço Mosaico, Manu na direção.

Charles, o mecânico e amante das bikes

Local da entrega, pracinha da 201 norte, ao lado do Retrô- Ativa brechô.

Julião Abrão levando a bike que irá emprestar na asa sul

Renato Moll do 10porHora

Maria Candida do Retrô- Ativa e bike que será emprestada lá.


Talles e Marcelo, novos parceiros e suas bikes da asa norte p compartilhar

segunda-feira, 30 de abril de 2012

desdobramentos

Entre as pessoas que tem participado do projeto, efetivamente ou por meio de mensagens, alguns relatam o desejo de também compartilhar seus objetos em desuso.
Caso alguém tenha coisas para compartilhar (livros, discos, jogos, brinquedos, ou qualquer outra coisa) pode deixar o contato aqui, ou enviar e-mail dando informações sobre o que deseja compartilhar.

Esta pode ser uma nova versão do projeto: agenciar novos empréstimos entre terceiros.
Lembrando que não se trata de aluguel e o projeto não tem fins lucrativos.



sem lucro e sem burocracia


outras partilhas

"Posso até fazer uma contraproposta neste caso... Eu te mando uma caixa de filme e um tema e vc me empresta a câmera , sua visao de mundo, e uns minutos pra fazer umas fotos pra mim e depois me manda pelo correio." Samuel Bueno










Recebi este presente do Samuel Bueno, físico por formação, analista de sistemas por profissão, trabalha na Unesp, mora em Rio Claro, fotografo amador, luta por causas de mobilidade urbana.



PRECISA-SE de Voluntários



Voluntários dispostos a aderir a ideia de PARTILHA para ficarem responsáveis em guardar e administrar o empréstimo de bicicletas que foram cedidas pela ONG Rodas da Paz e o coletivo 10porhora ao projeto Cotidiano Compartido.

O interessado pode ser de qualquer região do DF, basta ter disponibilidade para ser facilitador dos empréstimos.

Sem LUCRO e sem BUROCRACIA, apenas partilha.


maiores informações sobre o projeto e troca de ideias sobre compartilhamentos e partilhas:
avidaesonho@gmail.com

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Anotações



As várias falas sobre os objetos emprestados:
         
As falas que foram registradas durante este processo não induzem a comprovações, nem a resultados; não pretendem explicar, mas tratam de uma tentativa de resgatar a e recriar os sentidos dado por aqueles que de alguma forma fizeram parte deste jogo.
Os relatos, anotações e mapas revelam as varias percepções provocadas pela experiência e contato com o trabalho. Destacaremos no material anexo a pesquisa monográfica, alguns destes registros, nos quais é possível perceber formas distintas de percepção e de vivencia desta ação.
























Agradeço  todos aqueles que participaram da proposta de possuir junto e que colaboraram compartilhando um pouco do seu cotidiano.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

possuir com outros.

Objetos que tenho compartilhado.



Um dos significados atribuído pelos dicionários para a ação de partilhar é a ideia de possuir com outros. Partilhar é o ato de dividir em partes, repartir, distribuir um bem, um pensamento, um lugar. Compartilhar é ação que se situa acima do repartir, pois é o repartir de modo participativo; evoca associação de interesses e valores comuns; envolve o proveito conjunto de algo. Nesta pesquisa, a partilha surge como o mote, uma possibilidade de construir um campo de ação poética de intervenção silenciosa no cotidiano de outras pessoas. Partilha de objetos como proposta-arte, onde se compartilha a presença material de um objeto e se propaga além dele.

Cotidiano Compartido é um projeto que consiste no anuncio de empréstimos de objetos que me pertencem e fazem parte do meu cotidiano, (bicicleta, máquina Polaroid, guarda-chuva, barraca de camping, entre outros). Tem como intenção criar um campo de experimentação baseado no usufruto de um determinado objeto, que transita de um contexto para outro, do domínio do meu cotidiano para o cotidiano de outras pessoas, onde possa ser compartilhado, não só de forma material, mas também subjetiva. Essa transação faz com que um simples objeto passe a ser a peça de um jogo, de uma proposição artística, no entanto, o objeto neste jogo não ocupa o lugar de obra de arte, ele é antes uma ferramenta cognitiva, geradora de sentidos.

Sugerir a partilha no lugar de uma transação comercial alarga os limites entre o publico e o privado se funde. Trata-se de uma proposição que se fundamenta em princípios de confiança, de generosidade, de desapego e de afeto. Neste sentido, a proposta de partilha se impõe a lógica da individualização, substituindo-a pela lógica da coletividade. Busco estabelecer com este trabalho um exercício político em contraponto aos valores da sociedade atual, que limita e prescreve as formas de relacionamento. Do meu ponto de vista, promover a partilha é defender a idéia de cooperação, de subjetivação, de alteridade, de sociabilidade, de compartilhamento de experiências, de valorização da amizade. É utilizar a imaginação e a ironia como arma de resistência.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Agora sim!




Depois de uma longa espera, a melhor notícia: já tem filme disponível para venda em Brasília.
Os interessados em pegar emprestada a POLAROID, devem providenciar o filme no Espaço f-508 de Fotografia . Lembrando que não forneço o filme e não tenho parceria oficial com o F-508, sugiro que façam contato direto com eles e antes de pegar a câmera já adquiram o filme de acordo com o modelo acima.
O tempo para o empréstimo será reduzido para 3 dias por pessoa,  em função da quantidade de pessoas interessadas.
O projeto ficará em atividade até o dia 15 de dezembro. Entrará em recesso por um curto tempo e depois retomado com algumas outras propostas de compartilhamento de objetos e ações poéticas.

Obrigada a todos que tem participado.

ampliando a divulgação do projeto








As ações de empréstimos continuam até a primeira quinzena de dezembro como primeira etapa do projeto Cotidiano Compartido.
Em breve postarei depoimentos de pessoas que participaram e algumas reflexões a respeito dos desdobramentos dessa ideia.
Quem estiver interessado, entre em contato pelo telefone divulgado no cartaz ou pelo e-mail: avidaesonho@gmail.com

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Guarda-chuva




Mesmo sem propor uma intervenção física no objeto, existem possibilidades infinitas de recriar seu uso ou de simplesmente colocá-lo diante de outro contexto. 

Os relatos e registros trazem novos pontos de vista e a variedade de significados de um mesmo objeto. Foi assim com Marcelo Araujo. O texto acima conta sua experiência com o guarda-chuva que levou emprestado.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

proposta de alguém que mora longe daqui

Recebi este e-mail e quero compartilha-lo porque achei interessantíssima a proposta que, inclusive, abre para outras possibilidades de desdobramentos do projeto.
Vejam que interessante:

"Quer me emprestar a Polaroid ? 
o unico probleminha pra vc me emprestar a Polaroid é que eu moro há uns 1000km de vc, em Rio Claro, interior de S.P. Se quiser, podemos combinar um emprestimo durante as ferias para nao atrapalhar suas atividades academicas, eu pago o Sedex e promovemos sua ideia que eu achei genial e humana...

O problema de vc aceitar minha proposta é depois ter de emprestar via correio a qualquer pessoa o que pode complicar sua vida pra todo o sempre, por isso aceito um não como resposta e continuarei a achar sua ideia genial...

Posso até fazer uma contraproposta neste caso... Eu te mando uma caixa de filme e um tema e vc me empresta a câmera , sua visao de mundo, e uns minutos pra fazer umas fotos pra mim e depois me manda pelo correio.

A Olympus que vc possui é a TRIP 35 ? Sabia que ela foi escolhida como a camera do seculo XX ? Eu tenho uma TRIP 35 e uma Pen.

Eu sou fisico por formacao, mas analista de sistemas por profissao, trabalho na Unesp, moro em Rio Claro, sou fotografo amador, luto por causas de mobilidade urbana, se quiser dar uma olhada nas minhas coisas..."
Samuel Bueno

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aqui podemos ter acesso ao trabalho de Samuel:
http://exerciciosfisica.blogspot.com/ (Onde posto exercicios de Fisica, Matematica, Logica, Bco de Dados e outras coisas exatas, vc vai achar um tedio, mas tai...)
http://www.webcamnabike.blogspot.com/ (Mobilidade urbana na ex capital da bicicleta, usando fotos e textos)
http://samuelbin.blogspot.com/ (Musica, textos de ficção, espaço pra devanear)
http://www.lomography.com/homes/samymay/ (Fotos analógicas)







compartilhar olhares



Compartilho um texto de Eduardo Galeano que vem a calhar com a provocação poética da proposta do projeto.
Desde que coloquei esta proposta em ação, tenho recebido muitos telefonemas e e-mails solidários a campanha de empréstimos. No geral as pessoas se mostram bastante contentes e sensíveis com o trabalho, enfatizado principalmente o gesto de partilha como algo que havia se perdido nos tempos atuais.
A ideia é exatamente esta, de provocar a reflexão de que um outro estilo de vida é possível, além das relações comerciais que normalmente estabelecemos em torno da aquisição de objetos e bens.
O discurso que nas entrelinhas está embutido nos cartazes de divulgação da minha proposta, talvez nos faça realmente "olhar" as coisas materiais, o mundo e as nossas relações interpessoais por um outro angulo. Se isso realmente ocorre, o trabalho alcançou seus objetivos. 

Função da Arte I
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar! 
Eduardo Galeano.